quinta-feira, 17 de setembro de 2009

LEUCOENCEFALOMALÁCIA EQÜINA

A LEM (leucoencefalomalácia) é uma intoxicação altamente fatal de eqüinos, responsável por grande número de mortes nos EUA e outros países no início do século. Tem uma distribuição mundial e está associada à ingestão de milho ou ração comercial infestada pelo fungo Fusarium moniliforme.
Reportada desde 1891, relacionada principalmente às pobres condições de estocagem do milho ou da ração dada ao animal. Sabe-se que a presença do fungo em si é verificada na maioria dos estoques de milho, porém, as condições propícias para que ele produza a micotoxina responsável pela intoxicação ainda estão em estudos. O fungo pode crescer se o nível de umidade do milho for superior a 15%. O crescimento ótimo do fungo foi detectado com temperaturas entre 20o C e 25o C. Milhos infectados são reconhecidos por seu aspecto que varia de púrpura a marrom avermelhado. Rações comerciais peletizadas contaminadas com subprodutos do fungo já foram incriminadas por causar a doença. As condições exatas que fazem com que o fungo produza fumonisinas são desconhecidas, mas sabe-se que o milho que sofreu estresse hídrico ou nutricional durante a fase de crescimento produz toxinas em maior quantidade. Micotoxinas incluem não somente as fumonisinas, mas também aflatoxinas, vomitoxinas e zearalenona, entre outras, porém, em estudos feitos no Brasil entre 1988 e 1990, demonstrou-se que o Fusarium spp ocorre em 97,4% das amostras analisadas. Esse fungo também está associado a outras patologias, como a síndrome de edema pulmonar suíno, câncer de esôfago em ratos e humanos. A importância da doença é provavelmente maior que o nível de relatos sugeridos.
Clinicamente, verificamos demência, cegueira, convulsões e ataxia. A morte é virtualmente certa dentro de 24 horas após o surgimento dos sintomas. Alguns animais podem morrer abruptamente sem apresentar sinais. Reduzida resposta a estímulos, incoordenação, hiperexcitabilidade e paresia são comumente associadas ao quadro. Sinais neurológicos incluem, ainda, sonolência, andar em círculo, bater contra obstáculos, apoiar a cabeça contra a parede ou cocho e os animais podem se tornar convulsivos. Os sinais dos nervos cranianos são disfagia e paralisia da laringe. Alterações específicas do líquido cefalorraquidiano não são reportadas. Outra forma de intoxicação pelo Fusarium moniliforme é a doença hepática. Ocorre uma falência hepática, causando icterícia, edema, hemorragia, perda de peso, elevação do nível das enzimas hepáticas no soro e bilirrubina. Os efeitos hepáticos, acredita-se, são mais facilmente reversíveis que a forma neurológica. Tratamentos de suporte com fluídos intravenosos, dimetilsulfóxido e vitaminas do complexo B podem tentar estabilizar, mas não há dados que indiquem seu benefício concreto.
Prevenção – Para minimizar os riscos dessa intoxicação, deve-se ter cuidados especiais com o armazenamento dos grãos. Pode-se ainda optar pela utilização de boas forrageiras, sempre que possível. Quando se utilizar o milho como ingrediente das rações deve-se observar a eficiência de produção desse alimento, além de submeter o material a testes para detecção de fumonisinas. Já existem, comercialmente, kits para teste Elisa, para dosagem qualitativa e quantitativa do fungo na ração. A cromatografia líquida é um teste mais seguro e eficaz, obtendo-se o resultado em um prazo de 7 a 10 dias. Pode-se optar por outras fontes de energia como trigo, aveia, pois em laboratório é possível esses grãos produzirem fungos, porém, não foi detectado em condições naturais.

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