quinta-feira, 17 de setembro de 2009

FOOT ROT (PODRIDÃO DOS CASCOS OU MANQUEIRA)

O foot rot, pododermatite infecciosa é uma doença caracterizada pela inflamação da pele interdigital na junção da pele com o estojo córneo, levando à destruição da matriz do casco com secreção e odores pútridos. Esta doença afeta Bovinos, Ovinos e Caprinos. A doença acarreta grandes prejuízos podendo reduzir o peso do animal em até 11% e a produção de lã em até 8%; alem de aumentar a predisposição a verminoses e miíases. A enfermidade ocorre através da interação de três tipos de bactérias: Fusobacterium necrophorum, comum do trato gastrointestinal de bovinos, ovinos, suínos, entre outros sendo uma bactéria oportunista; Dichelobacter nodosus, parasita obrigatório dos tecidos epidermais do casco de ruminantes; e Actinomyces pyogenes, comensal das superfícies mucosas de bovinos, ovinos e suínos que causa infecções secundarias. As lesões do Foot Rot não ocorrem na ausência da bactéria Dichelobacter nodosus sendo ele o microorganismo essencial para a ocorrência da doença.
Os animais portadores introduzidos na propriedade são a principal fonte de contaminação. Clima quente e muito úmido, lesões de casco, terrenos acidentados e pedregosos são fatores importantes para o desenvolvimento do foot rot.
Todas as idades são suscetíveis, mas animais menores de 2 anos apresentam quadro mais ameno. Aparentemente, existem linhagens mais sensíveis, bem como raças, como as de casco branco (Merino é a mais suscetível).
O sinal característico do Foot Rot é a claudicação (manqueira). Descrevem-se duas formas: uma virulenta e uma benigna. A forma virulenta se caracteriza inicialmente por uma tumefação (edema) e umidade da pele interdigital, que progride a uma necrose que vai invadindo o casco, levando a secreção sem abcedação, o casco parece soltar-se. A contaminação secundária pode levar à inflamação em todo o membro. A claudicação, em graus variados, está sempre presente, podendo chegar a caminhar de joelhos ou permanecer em decúbito. Podem ser ainda observadas anorexia e febre. A forma benigna não é progressiva.
O tratamento envolve o exame com apara dos cascos e uso de pedilúvios. Vários tratamentos foram utilizados, mas o que apresenta os melhores resultados é o que utiliza sulfato de zinco associado a um detergente aniônico (facilita a penetração do agente).
O tratamento parenteral é feito por meio de antibióticos, cujos indicados são a penicilina e a eritromicina.
As vacinas devem ser utilizadas visando prevenir a ocorrência, nas épocas em que a doença é mais observada: Primavera: 1ª dose em julho, 2ª dose em agosto; Outono: 1ª dose em fevereiro, 2ª dose em março. O uso de vacinas pode reduzir em até 91% os casos da enfermidade. Um aspecto importante das vacinas é que contenham os sorotipos de D. nodosus com relevância em nosso país, sendo A, B, D, E e F.

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